Escolhas e direção

O Próximo Passo

Uma escalada improvisada no interior do Brasil me ensinou que encontrar o próximo apoio é diferente de compreender o rumo do caminho.

Três amigos em uma floresta brasileira ilustrada param perto de uma grande formação rochosa para considerar o caminho.
Ilustração de uma lembrança pessoal.

Em algum momento dos anos 2000, eu trabalhava como gerente de TI em um colégio de ensino médio com internato, no interior do estado do Rio de Janeiro. Uma vez por ano, deixava um pouco os computadores para organizar o IPAE Adventure, uma competição com trilhas, rios, lama e desafios ao ar livre.

Antes do evento, saía com amigos para explorar e preparar um novo percurso. Em um desses anos, éramos três abrindo caminho pela mata com facões e uma foice quando olhamos para a enorme formação rochosa ao lado do colégio.

Alguém sugeriu acrescentar um pequeno trecho de escalada.

Já não lembro de quem foi a ideia. Talvez tenha sido minha. Mas, depois de mais de vinte anos e na ausência de provas, prefiro manter o caso em aberto.

Começamos a subir. Não tínhamos cordas, capacetes, equipamentos nem treinamento de escalada. Ainda levávamos as ferramentas que havíamos trazido para abrir a trilha.

No início, parecia fácil. Uma fenda oferecia apoio para as mãos. Uma saliência permitia colocar o pé. A vegetação dava algo em que segurar. Subíamos mais um pouco, sempre concentrados no próximo apoio disponível.

Cada movimento bem-sucedido parecia confirmar que poderíamos continuar.

Até olharmos para baixo.

Mais longe do que pretendíamos

Não sei dizer a que altura estávamos. Posso dizer que a aventura deixou de parecer uma aventura. Subir tinha sido relativamente simples porque enxergávamos o próximo lugar para as mãos e os pés. Descer era diferente. Os apoios ficavam abaixo de nós, e muitos eram impossíveis de ver.

Talvez já não conseguíssemos voltar pelo mesmo caminho.

Lembro de um amigo cortando o cabo de madeira da foice e jogando-o para baixo. Ficamos olhando e esperando. O tempo que levou até chegar ao chão tornou a altura muito mais real.

Agora estávamos com medo. A única opção aparente era continuar até encontrar outra saída.

Depois de algum tempo, vimos uma área mais plana, onde talvez fosse possível voltar a caminhar pela vegetação. Entre nós e ela havia um trecho de pedra bem mais liso. A travessia exigiu ajuda mútua, a procura por apoios mínimos e, em alguns momentos, o próprio corpo como apoio para o pé de um amigo.

Não havia cordas nem proteção se alguém escorregasse. Ainda hoje, não gosto de pensar muito cuidadosamente em algumas partes daquela travessia.

Conseguimos passar. Encontramos um caminho pela vegetação, seguimos até a parte superior da formação e, finalmente, descemos por outro percurso.

Quando um daqueles amigos e eu lembramos desse dia, o sentimento mais forte é gratidão. Não o recordamos como uma conquista de escalada.

Olhar na escala certa

Estávamos prestando atenção durante a subida. Avaliávamos cuidadosamente onde colocar uma mão ou um pé. O que deixamos de avaliar era para onde todos aqueles movimentos nos levavam.

Ninguém decidiu ficar preso em uma parede de pedra. Chegamos àquela situação por pequenas decisões que pareciam possíveis naquele momento. Mais uma fenda. Mais uma saliência. Cada sucesso incentivava a tentativa seguinte.

Essa lembrança me deixa uma lição incômoda: conseguir realizar o próximo movimento não basta para demonstrar que estamos em um bom caminho.

Provérbios 4:26 nos convida a considerar a vereda dos nossos pés. Provérbios 14:12 lembra que um caminho pode parecer certo e levar a um resultado muito diferente do esperado. Esses textos me fazem perguntar mais do que se determinado passo é possível.

Para onde essa direção está me levando?

Essa pergunta cabe nas decisões sobre hábitos, relacionamentos, dinheiro, trabalho e vida espiritual. Pequenas escolhas se acumulam. É bom parar para avaliar enquanto ainda temos espaço para reconsiderar.

Há outra lição nessa memória. Quando reconhecemos o erro, voltar já não era simples. Precisávamos encontrar uma saída. Às vezes, necessitamos da sabedoria de Deus antes de entrar em um caminho. Outras vezes, precisamos admitir que fomos longe demais e pedir ajuda para encontrar uma saída.

Lembro daquele dia com gratidão, inclusive pela oportunidade de chegar em segurança. Antes do próximo passo, quero enxergar além do próximo apoio.

Textos para reflexão: Provérbios 4:26; Provérbios 14:12; Gênesis 13:10–13; Salmo 18:32–33.

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