Era o inverno de 2005 ou 2006 na Inglaterra. Eu havia chegado algumas semanas antes para estudar inglês e tentar começar uma nova etapa da vida. Um amigo tinha mencionado uma possível oportunidade de trabalho. Meu plano era conseguir emprego, me estabelecer e depois trazer minha esposa e meus filhos, que esperavam no Brasil.
Depois de uma breve passagem por um hostel em Londres, uma maravilhosa família brasileira me recebeu em sua casa. No começo, até aquele frio tão diferente fazia parte da aventura. Mas a oportunidade de emprego não se concretizou. Outras também não apareciam. A saudade da família aumentava, e eu começava a me perguntar se havia cometido um erro.
Naquela fase, a orientação de Paulo para orar sem cessar ganhou um significado diferente para mim. Conhecia 1 Tessalonicenses 5:17 desde criança. Agora, conversava com Deus enquanto caminhava, ia às aulas, procurava trabalho e pensava em casa. Isso não substituía os momentos reservados para a oração. Era uma experiência de companhia durante o restante do dia.
As circunstâncias continuavam incertas. Eu já não me sentia tão sozinho.
Um pedido muito pequeno
Uma das atividades do curso de inglês era preparar um currículo para o mercado britânico. Gostei do resultado, imprimi algumas cópias e passei uma tarde entregando-as em empresas. Eu estava em uma cidade menor, a aproximadamente uma hora de Londres de trem. Caminhava de um lugar para outro, conversando com Deus pelo caminho.
Até que meu estômago interrompeu. Não comia desde cedo. Tinha algum dinheiro no banco, mas, por uma razão que já não lembro bem, não conseguia acessá-lo naquele momento. Talvez estivesse sem o cartão ou tivesse esquecido a carteira.
Contei as moedas no bolso. Um restaurante de fast-food oferecia dois hambúrgueres pequenos por um preço baixo. Já não lembro o valor. Mas lembro a diferença.
Faltavam 10 pence.
Deus certamente tinha questões mais importantes do que meu almoço. Mas eu já estava conversando com Ele havia horas, e o pedido veio naturalmente.
— Pai, o Senhor poderia me dar 10 pence para completar o valor?
Sem promessa, sem discurso. Um pequeno pedido dentro de uma conversa.
Creio que Deus fala conosco principalmente por Sua Palavra e não penso que toda impressão deva ser atribuída automaticamente a Ele. Posso apenas descrever o que vivi naquela tarde: ouvi com muita clareza que deveria buscar meus 10 pence atrás da cabine telefônica que estava adiante.
A cabine dava para a calçada. Atrás dela havia grama. As pessoas entravam pela frente; uma moeda caída pareceria muito mais provável dentro da cabine ou perto da entrada. Por que haveria uma atrás?
Mesmo assim, dei a volta e olhei para o chão.
Uma moeda. Exatamente 10 pence.
Eu a peguei. Para mim, seu significado já era muito maior que seu valor.
O que a moeda não prometia
Gostaria de dizer que tudo começou a dar certo depois daquela tarde. Não foi o que aconteceu. Não consegui o emprego que imaginava. Minha família não foi morar comigo na Inglaterra. Alguns meses depois, voltei para o Brasil.
Isso importa. Seria fácil contar essa história como uma confirmação de que meus planos dariam certo. Minha própria experiência não permite essa conclusão.
A moeda não era uma promessa de emprego nem uma resposta a todas as perguntas sobre meu futuro. Eu a compreendi como um lembrete de que não estava sozinho.
Em Mateus 6:31–32, Jesus diz que o Pai conhece nossas necessidades. Conhecê-las não é o mesmo que prometer tudo o que pedimos. Paulo pediu que seu espinho na carne fosse retirado. Em 2 Coríntios 12:8–9, a resposta foi a graça que o sustentaria, sem a retirada da dificuldade.
Oração também é relacionamento. O Salmo 23 coloca a presença de Deus dentro do vale; o Salmo 139 fala de Seu cuidado mesmo longe dos lugares conhecidos. Minha distância de casa não precisava se transformar em distância de Deus.
Talvez você esteja orando por algo muito maior que 10 pence. Continue pedindo. Ao lado desse pedido, pode haver lugar para outro: Pai, ajuda-me a reconhecer Tua presença enquanto ainda não sei como isso vai terminar.
Aqueles 10 pence me compraram algo para comer. Para mim, também disseram: você pode continuar conversando comigo.
Textos para reflexão: 1 Tessalonicenses 5:17; Mateus 6:31–32; Lucas 12:6–7; 2 Coríntios 12:8–9; Salmo 139:7–10; Salmo 23:4.
